A morte das palavras

O motivo foi torpe sem entorpecentes.
E o criminoso não tinha antecedentes.
Porque ninguém tira a própria vida duas vezes.
Tira. Mas não completamente.

A arma utilizada tinha cor metalizada.
E suspeita-se de asfixia planejada.
Porque ninguém usa lápis em folha timbrada.
Usa. Mas sem pesar a mão borrada.

O remédio pra dormir deu soneto.
E abriu um invisível buraco no peito.
Porque ninguém mais confia em medicamento.
Confia. Sem esperar que faça efeito.

Foi brutal sem manchar o tapete de entrada.
E doloroso, não doloso, foi perder o tom da fala.
Violento ao lamento de quem encontrou o corpo na sala.
Foi letal, não literal. Foi morte literária.

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