Querida Lorelay

Eu já te escrevi um texto que você ignorou, e te entreguei uma carta que você nunca respondeu. Não tem problema. Eu sei que você já deve estar bem de saco cheio de mim, mas eu queria muito conversar, e como não posso, vou deixar isso aqui perdido nos arquivos do blog.

Sabe como você sente orgulho do seu livro? Eu também sinto. Do seu. Do conto que você escreveu. Da sua preocupação em contar uma história de fantasia com personagens tão reais. Sabe o seu canal? Eu curto. Adoro o jeito como você tenta explicar pras pessoas sobre os assuntos que você domina e que são tão necessários de serem abordados. Adoro seus vídeos bêbada também.

E sabe eu? Não. De mim você não sabe quase nada além do fato de que eu fico meio nervosa pra pedir foto. Odeio pedir foto aliás, só faço quando a pessoa realmente é importante pra mim. Mas você com certeza pensa que eu amo caçar celebridades e que tenho algum interesse obscuro em você, obsessivo ou coisa do tipo. Nem posso culpá-la, eu devo ter agido de forma estranha as vezes em que nos encontramos. E meu texto e minha carta deviam mesmo estar muito ruins. Eu apaguei o texto inclusive, pena que não posso pegar de volta a carta. Mas tudo  bem. Essa vergonha eu supero.

O que eu queria te dizer é que eu escrevi um livro. Um livro que você com certeza não quer saber que eu escrevi, mas que me faz ter uma enorme vontade de te pedir pra ler antes de publicar. Um livro que eu fiz com todo o amor que tenho pela arte Drag, mas que ainda me assusta e me tira o sono em preocupação. Eu tenho medo, um medo forte e real de ser uma literatura ruim, e não importa o quanto a minha escritora favorita diga que eu sou boa, ela não me convence. Eu preciso ouvir de você dessa vez, e odeio que eu tenha te feito tão importante assim.

Eu odeio que eu esteja agora mesmo olhando para o seu livro com a sua dedicatória e pensando que você pode gostar do meu também. E pensando que não, que você nunca vai gostar, e que nem sequer vai ler. Nem quando eu te contar que o protagonista chama Danilo porque foi o meu pequeno jeito de te homenagear. Você vai ignorar. E eu vou continuar dizendo que não tem problema. Porque não tem mesmo, eu não preciso que alguém goste de mim pra que eu goste da pessoa, e independente de você ler ou não, eu continuarei adorando seu trabalho.

É que eu tô frustrada, Lorelay. Eu tô assustada e com medo, por ser a primeira vez que eu realmente me posiciono sobre alguma coisa. Eu tô olhando pro seu livro e pensando “ela fez e fez muito bem, eu posso fazer também”. Mas talvez eu seja só uma menina muito maluca, que deveria encontrar no mapa o seu lugar de fala e ficar lá caladinha. Se você soubesse o quanto eu sou ruim em geografia…

O livro tá pronto, e às vezes eu penso que está lindo. Mas tá dificílimo conviver com a pressa de que esse material chegue até você, e com certeza, depois que eu enviar eu nunca mais vou dormir até colocar na cabeça que não tem problema se você não gostar (nunca antes eu precisei desse nível de aceitação). Eu tenho medo de divulgar algo que jamais deveria ser lido por ninguém. Algo desprezível. E se você me rejeitar outra vez, eu vou ter certeza que está horrível. Mas sem pressão!

Lorelay, que bom escrever isso sabendo que você nunca vai ler, assim eu posso te contar outras bobagens que não te interessam. Sabe por que eu não tenho tanta vontade de ser Drag? Porque desde os quinze anos eu tinha uma personagem líder de torcida, meio alter ego, e só posso conceber ser Drag caso eu a montasse, porém o nome dela era Lorelei Lee (minha personagem favorita da Marilyn). E eu não vou montar outra Drag chamada Lorelei. Seria ridiculo.

Veja que curioso: falar com você sem propriamente falar com você já me deixou um pouco aliviada. Escrever é a terapia mais barata que existe.

Vou tentar me concentrar em não depender da sua opinião, pois eu sei que você odiaria saber que eu dependo tanto assim, e me mandaria parar de ser louca.

E já que é pra encerrar uma carta que nunca chegará ao destinatário, eu vou fazer da forma mais patética e retardada possível: meu nome é Lorelei Lee e é nessa que eu vou.

 

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