A Rosa em cada uma de nós

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Estive na pré-estreia de Como nossos pais há poucas horas e não vou dar spoiler da história, mas sim da comoção que ela é capaz de causar. Sendo assim, vou começar pelo final. Quando o filme acabou e os créditos subiram, eu tive aquela sensação de não conseguir me mexer, e ao olhar para o lado, vi minha amiga Chris enxugando as lágrimas com o guardanapo da pipoca. Nós ainda ficamos um tempo sentadas, de mãos dadas, e eu pensei no quanto uma amizade verdadeira é importante para a nossa estabilidade emocional. O filme nos faz pensar nisso. A Rosa, a super e imperfeita Rosa protagonista, sou eu. É você. É a Chris. A Maria. A Laís. A Rosa é todas as mulheres. Não importa em qual estágio da vida nós estamos e como está o nosso entorno, o desfecho social feminino é elaborado pra que seja sempre o mesmo. Pra todas nós! Aquela programação “casamento, filhos, emprego, lar, almoço em família, o cuidado com nossos pais, nossos sonhos em segundo plano”. Acompanhar a história da Rosa foi como pegar toda a minha sobrecarga e jogar em cima dela. Comer pipoca e assistir à minha própria tragédia. Eu me entreguei à emoção do filme como todo o elenco se entregou ao texto (e que texto!), mas sempre acho interessante observar a reação das pessoas que estão na mesma sala que eu e perceber a dificuldade delas em se permitir sentir. Algumas riam em cenas densas para não saírem da zona de conforto e manterem certa distância da personagem. A gente tem medo. A gente tenta não se colocar demais no drama do outro, não se enxergar em olhos tão iguais aos nossos. E a Rosa chega numa época em que a empatia (acredito eu) é o maior elo humano que conseguimos fazer. Durante todo o filme eu senti vontade de abraçá-la, e me sinto muito privilegiada de sair da sessão e poder realmente abraçar a Maria Ribeiro. Porque ela não dá vida só a Rosa. Ela dá vida a todas nós. Tanto no cinema, como nos textos que escreve, ou nas suas redes sociais super sinceras. A Maria é real. E é doce e inteligente o suficiente para entender e praticar a verdadeira empatia feminina. Ela nos traduz e, assim, pôde traduzir tão brilhantemente a Rosa. Maria é o futuro que eu espero para nós, mulheres.

Eu vim pensando em tudo isso dentro do Uber, enquanto me comunicava com a minha mãe por mensagens e torcia pra arrancar logo da minha cara os cílios postiços que me impediam de chorar. E foi exatamente ali, à 1h da madrugada, quando eu vi a minha mãe de pijamas me esperando no portão que o filme verdadeiramente acabou pra mim. Ali eu cedi ao choro. Porque a gente dá voltas, a gente dá muitas voltas, mas a gente sempre volta para o colo dos nossos pais. Mesmo quando eles já não estão mais conosco. Mesmo quando não conseguimos nos relacionar direito (aquele direito que a gente idealiza) com eles. Mesmo quando não sabemos mais o caminho de casa. Como na história infantil que a Rosa conta para as filhas sobre um guaxinim cuja mãe beija a palma da sua mão e diz que o coração dela sempre estará com ele. É isso. Nós sempre estamos com nossos pais. Nós somos os nossos pais. As melhores e as piores partes deles. No fim de tudo, é só o amor que fica. E é lindo, excelente, maravilhoso saber que um filme tão brasileiro possa nos dizer tudo isso.

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Um comentário em “A Rosa em cada uma de nós

  1. Obrigado por dividir este recorte tão importante da sua vida(sim), parabéns pelo brilhantismo da narrativa e gratidão pela felicidade de estar cercado de tantas mulheres (inclua-se) lindas e fortes em minha vida!!!

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