Socorro

São 4:56 da manhã. Eu não posso dormir. É a segunda noite seguida que bandidos invadem a minha casa pra roubar o que tem no quintal. Levaram o botijão. Levaram a bicicleta. Levaram a churrasqueira. E levaram meu sono.

Eu estou com spray de barata do lado da cama. Eu estou com um medo que já não chora, não se surpreende com o noticiário, e aceita. Que não tem polícia que me proteja. Que não tem dinheiro que me tire daqui. Que não tem solução que não seja póstuma. A justiça não age pra prevenir, age pra confortar quem já perdeu.

Eu não quero sair. Quando preciso, quero voltar. Cedo. Estar em casa pro acaso e para o caso de acontecer alguma coisa. Eu vou ouvindo as histórias de todos a minha volta. Eu vou escapando pelas beiradas enquanto elas se estreitam. Sabendo que ainda me faltam inúmeras noites em claro. Rezando. Voltando da rua assombrada ou esperando amanhecer pra sonhar.

A gente tá morrendo e eu tô pensando no que eu quero deixar. Órgãos pra doar. Livros pra entreter. Esperança de dias melhores. Frases legais e fotos bonitas. E um Fora Temer.

A verdade é que eu não quero ir. Eu quero que chova pra eu poder dormir. Eu quero que me deixem ficar. Eu quero encontrar a saída de volta pro meu lar.

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