A décima segunda carta

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Essa é a décima segunda carta pra você. As outras onze, o tempo rasgou. E mesmo as poucas que ainda estão intactas em envelopes rosa perderam o sentido e a validade. Mas essa é a décima segunda carta e ela vai ficar exposta nessa página que ninguém acessa. Ela vai fantasiar que você a lerá. Mas eu sei que não. Porque te machucaram o peito e você esqueceu como se lê sentimentos. Porque não houve coerência nos nossos pequenos diálogos. Porque parece existir duas versões de você. A que se importa e a que quer que os outros se importem. A décima segunda carta é pra dizer que eu me importo. Com o valor das tuas palavras. Com o valor do teu silêncio. Com a tua estranha postura. Conversas simples poderiam evitar grandes terremotos internos. Era só ter me dito as verdades. Ter sido real. Era do teu real que eu gostava.

Eu sou jovem. Você tem razão. Entre as nossas noções de lealdade existem 20 anos de separação. Você já deve ter esbarrado em várias versões de você que te decepcionaram como a tua versão me decepcionou. Mas talvez seja a idade, talvez seja o signo, talvez a realidade, não sei. Só sei que não faria a bagunça que você gosta de fazer. Sei também que parece fácil dizer que eu não agiria como você, já que não habito tua pele, mas o teu encanto se apagou em mim de tal forma que agora te vejo apenas em sombra cinza. E se tem algo que eu jamais deixaria apagar em alguém é o encanto que conquistei. Acho que você pensou que eu fosse como as outras. Incansável. Inabalável. Mesmo diante da tua própria afirmação de que sou diferente. Você tem razão. Eu sou diferente. Eu não passo por cima de mim mesma pra agradar ninguém. Não sou melhor. Não sou pior. Eu me importo com teu bem estar. E com o meu. Eu escrevo cartas. E não entrego.

É. Só isso. Queria escrever teu nome mais uma vez e pontuar o fim do texto com letras cursivas. Mas não quero que ninguém saiba que essa é tua décima segunda carta. Nem mesmo você.

Obrigada pelas coisas boas que você nem sabe que fez. E pelas que deixou de fazer também. Nunca haverá silêncio mais barulhento que o teu.

A gente se vê por aí. Um dia.

XOXO

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