Audrie e Daisy

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Feliz dia da mulher pra você que não aguenta mais ouvir falar em feminismo, e pra você que investe exatamente a mesma grana na escolinha do seu filho e da sua filha, sabendo que ela vai ter um salário menor independentemente da profissão que escolher. Feliz dia da mulher pra você, homem, que é considerado um bom marido, porque nunca bateu na esposa, e pra você, fofa, que todos os dias prega discurso de ódio contra as mulheres no meu facebook. Feliz dia pra moça que vai ganhar uma caixa de bombons do chefe hoje e lidar com os olhares maldosos das coleguinhas e o constrangimento de ser subordinada a um babaca que usa datas comemorativas como desculpa pra lhe passar cantadas. Aliás, você já escolheu o look do dia? Não esquece que dependendo do horário e do meio de transporte, roupa curta não pega bem. E você não que ser vulgar, né amiga? Feliz dia da mulher, manas! Feliz dia de lembrar que ainda somos tratadas como inferiores, e que essa praga machista não está nem perto de terminar. Ao contrário, parece que cresce a cada dia. Dei uma olhada no Twitter hoje e #DiaDaMulher está nos trends junto com #BolsonaroReiDoMundo. Não é uma gracinha? Que dia significativo! Mesmo assim, eu acho bom que exista uma data que reforce o que a gente já sabe. Hoje é dia de falar o que falamos sete vezes por semana, cientes de que dificilmente seremos ouvidas. Mas se não causa efeito para alguns, para outros (principalmente outras) causa.

“Audrie & Daisy” é o nome de um documentário da Netflix sobre duas adolescentes que sofreram violência sexual e tiveram seus casos expostos no colégio ou em rede nacional. Duas garotas diferentes, que nem chegaram a se conhecer. Uma se suicidou. A outra tentou lidar da melhor forma possível com o ocorrido, até o momento em que pessoas duvidaram de sua história, absolveram seus agressores e a condenaram virtualmente. Foi aí que ela quase teve o mesmo destino da primeira garota. Para ambas, a pior parte da violência foi o julgamento que veio da exposição. O que as destruiu foi o fato de terem sido colocadas na posição de mentirosas, vadias, merecedoras de tudo que aconteceu, enquanto seus agressores assumiram papéis de heróis injustiçados. A garota que se suicidou não teve ninguém com quem conversar. Já a que sobreviveu recebeu mensagem de uma também vítima de violência afim de ajudá-la. O contato aconteceu pela internet, e formou um grupo de garotas e mães que estavam passando pela mesma situação. A união as salvou. O “falar sobre o assunto” as salvou. Então, mesmo que a gente esteja exausta de ter que repetir o quanto é injusta a desigualdade, a impunidade, e tantas outras coisas, nós temos a obrigação de falar todos os dias, de conversar, acolher umas às outras, formar o exército de mulheres do clipe da Beyoncé, porque só assim, estaremos nos ajudando. A palavra cura o mal que a própria palavra causa.

E esse texto é só pra passar esse recado mesmo. Fale! Feliz dia da mulher para todas as mulheres e homens que estão lutando pelos direitos humanos, e um péssimo dia aos que ainda não entenderam o que isso quer dizer.

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