“Giuliana marcou a si mesma como segura durante bloco de carnaval”

img_6563

Eu parti pra ignorância. É carnaval que queremos? Então é carnaval que vamos ter! Vamos no bloco. No da esquina? Não! No mais famoso da cidade. Vai ser ótimo, amiga, vai estar cheio de celebrities. Olha lá dentro do carro alegórico: tem ar condicionado. Que bom ser celebrity. Que saco ser anônima. Eu já contei da vez que me inscrevi pro BBB? Não, qualquer dia eu conto. É que hoje eu vim falar do bloco. E da fumaça do escapamento que eu engoli do carro do bloco. E da cordinha que separava umas pessoas X do resto do bloco (resto: eu). E da Tati Bernardi. Tati, um salve pra você! Quando eu estava com metade do rosto grudado num ombro moreno, foi em você que eu pensei. O teu texto de sexta-feira passada que eu retuitei como “HAHAHA QUE TEXTO ENGRAÇADO” era um alerta. A Tati avisou, a Tati avisou! Ela falou que não tinha saída! E agora? E agora, Deus? Eu ainda nem cometi todos os pecados que estou pagando aqui hoje! A música dava todos os indícios: “apavora, mas não assusta o carnaval do Baixo Augusta”. Quando foi que eu achei uma boa ideia me meter no meio de sei lá, 500 mil pessoas? Ah claro, quando eu cheguei só tinha umas 57, tava lindo, perfeito. Então eu descobri que ser humano não vem da cegonha ou da inseminação artificial, ele brota do asfalto! E brota em quantidades assustadoras!

Gentefobia. Pessoafobia. Muvucafobia. Quando estávamos apenas na concentração, foi ótimo. Ou talvez eu tenha me convencido que foi ótimo porque todo o resto foi terrível. Tocava umas músicas da época da minha mãe, mas dane-se, a gente bebe e finge que é Anitta. A gente sensualiza e finge que o Alexandre Nero tá nos enxergando lá de cima. Um salve pra você, Alexandre! A culpa é toda tua! Foi você que inventou essa história de cantar no bloco, e eu fui pra te ver, você sabe. Aquela cerveja que você me deve, eu vou cobrar mais do que nunca agora! Não agora. Porque agora eu quero um quarto escuro, a voz da Carla Bruni e um Todinho.

O bloco começou a andar às 17h. A minha dignidade caiu no chão às 17h01. Minha amiga pegou na minha mão e disse “não vai dar pra gente ficar aqui”. Miga! Eu sei! Mas não sei se você notou, toda a população mundial ocupou o asfalto existente embaixo do sol. Acabou, Chris! Não existe mais espaço entre os corpos. Não existe esquina pra virar. Não existe vida pós bloco. A gente se conheceu pela internet e era lá que deveríamos ter ficado. Fomos longe demais no lance da intimidade, eu não sei se esse cabelo grudado no meu peito é seu ou meu. Cadê a aeromoça do bloco? A blocomoça? As máscaras de oxigênio? A banheira de álcool gel? Por favor, eu quero uma banheira de álcool gel! Se conseguirmos voltar pra casa, eu vou comprar uma banheira de álcool gel!

Conseguimos sair do bloco. A minha dignidade não. Eu tenho medo de comprar um teste de farmácia e descobrir que estou grávida. Eu tenho lembranças desconexas de alguém dizendo “OLHA, O LÉO JAIME!” mas o Léo Jaime não estava no bloco. Do “Rodrigo Sobrenome Sobrenome, de CPF tal, que não tem nenhuma doença” passando a cantada do macho respeitoso que aceita não como resposta. Salve, Rodrigo, você não faz mais que sua obrigação aceitando não. Aceitando dois “não” também. A Aninha, moça legal que frequenta igreja e que estava vendendo duas Skol por cinco reais pras foliãs que desistiram do bloco e foram encher a cara na sarjeta. Salve, Aninha! Eu adorei conhecer você. E Chris, miga, sua linda. Você salvou o carnaval com o seu girassol na cabeça e o seu pique de quem passou a semana inteira me dizendo “VEM BROQUINHO! TA CHEGANDO O DIA DO BROQUINHO!”, mas, por favor, vamos continuar indo nos nossos eventos literários, pseudocults e um pouquinho cafonas! Foi divertido porque você fez ficar, te amo, toma um salve com voz de Astrid pra você: SALVE!

Por fim, um coração feito com as mãos aos que me odeiam (vocês iam amar me ver ontem) e uma salva de palmas a todos os que têm o espírito carnavalesco (o meu infelizmente é natalino o ano todo). Vocês são surreais! Você que vai em três blocos no mesmo dia, você que não sua, você que compra fantasia de Jason pra usar embaixo de um sol de setenta e nove graus. Vocês são meus heróis! Ah, minha madrinha, que sempre lê meu blog e que foi no mesmo bloco que eu e adorou: VOCÊ É PROFISSIONAL DO CARNAVAL, BEIJOS! A gente se vê em casa na hora do Saia Justa, comendo biscoito e falando da Maria. Salve Maria também! Salve todo mundo! Eu estou a salvo!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s