São Paulo, amiga, precisamos conversar

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Arte: Kobra / Foto: Charles Humpreys

Querida,

Faz tempo que não nos falamos. Você anda sumindo com as agências de correio, daí fica difícil de te enviar uma correspondência. Por isso, eu mando este breve recado online a fim de te dar os parabéns por mais um ano de vida, e admitir que você me parece muito melhor desde a última vez em que te escrevi. As crises de água diminuíram, e sua higiene está em dia. Percebo que resgatou seus movimentos artísticos, e até abriu seu coração para os pedestres aos domingos. Boa, amiga! Ouço falar bem sobre você novamente, e sobre algumas maravilhas que seu ex te fez. Aquelas faixas exclusivas pra ônibus! Que lindo presente. E agora até ciclismo você anda praticando. Quem diria hein, garota? Logo você tão sedentária e viciada em fast food. O moço que te amou parece ter sido uma ótima influência.
Por isso, desculpe a intromissão, mas queria entender porque o relacionamento de vocês chegou ao fim. Eu shippava! Eu votei tanto pra vocês continuarem juntos. Fiz campanha na família, subi tag no Twitter, mas não deu certo. Agora você está com esse novo amor, que curte Romero Britto e tem fetiche por roupas de gari. Francamente, amiga… O que você viu nele? Ele não tem nada a ver com você e com essa pose que quer que você passe. Não entre nessa onda conservadora só porque tá na moda, você é melhor que isso, gata. Que história é essa de que agora você só pode se vestir com tons cinzas? PASSA BATOM VERMELHO, MULHER! ROSA, AZUL, VERDE! Você sempre foi tão alegre e descolada, não deixa um cara te dizer o que é bonito ou não. Cidade linda? Sério que você está se prestando a esse papel? Você acredita mesmo que linda é ser pálida e apática? Em plena era do empoderamento feminino, colega! Você tem “Liberdade” tatuada nas linhas do corpo, esqueceu?
Tudo bem, eu sei que quem escolhe é você. O relacionamento é seu, e por mais que eu te habite, não tenho poder soberano sobre suas decisões. Mas me chateia te ver assim, ignorando sua verdadeira essência por um cara que não te entende. Meu apelo, em nome dos nossos anos de amizade, é que você não deixe ele te transformar em cinzas descartáveis. Não deixe a melancolia ser seu cartão de visita, você é muito melhor do que isso, e muito mais bonita quando autêntica, quando aberta aos artistas que te pintam. Dá um chega pra lá nesse cara, menina! Diz pra ele do que você gosta de verdade, quem você é, seus pontos fracos e fortes. Reage! Você não está sozinha. Deixa a coxinha pro Ragazzo, e o pincel sem cor pro administrador-pintor. Veste aquele decotão, faz um dread no cabelo e se pinta toda de novo pra dançar um sambinha com a gente nesse fim de tarde que promete garoa.
Não leve a mal meu puxão de orelha. Faço isso porque me preocupo contigo. Não quero perder minha amiga para alguém que não a valoriza. Pense nisso. Do mais, te desejo muita felicidade no ano que se inicia. Vamos marcar aquele chope que você está me devendo?

Precisando, estarei sempre aqui.

Da habitante que te ama,
Paulistana.

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