Pontua ela

Vou pontuá-la porque ela não virá mais. Não veio buscar minha carta manuscrita e nem virá mais. Também, o que queria eu? Guardar seu toque? Sentir o movimento da sua escada rolante quebrada? Ela me abraçou onde ninguém o fez antes, com gestos falados que ninguém falou antes. Não me espanta ter ficado entorpecida de desejo literário, toda enrolada em seu manto de mistério. “Eu quero você como eu quero”. Não adianta. Vomita ela, menina, vomita como sempre vomita os que te alimentam e acabam. Despeja ela aqui, devolve seu sopro forte, gorfa seus louros fios, regurgita o que sentiu nos primeiros segundos em que a viu. Esquece a fantasia, mas memoriza o quadro que pintou com sua silhueta sobre a mesa. Eterniza a musa real. E escandaliza em manchete de jornal que o maior de seus crimes é não vir mais.

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