Vinte e quatro

 

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Passaram seis anos desde que eu fiz dezoito. Faltam seis anos pra eu fazer trinta. Aos vinte e quatro, estou no meio do caminho, da encruzilhada, do fogo cruzado. Converso com os de dezesseis e leio os de quarenta e tantos. Sinto que não vai dar tempo de cumprir o plano que fiz aos quinze: ter uma situação financeira favorável e uma carreira minimamente sólida aos vinte e cinco. Falta menos de um ano pra que me acabe o prazo e no momento, estou com meu salário de 800 reais bem atrasado. Mas não tem problema, eu já não tenho pressa! Aos quinze, os vinte e quatro pareciam muito mais adultos do que realmente são. Imagine que eu pensava que estaria noiva! Pensava que estaria morando sozinha. Pensava que seria magra, linda, estilosa. A verdade é que uso moletom quase todos os dias, aprendi a cozinhar estrogonofe semana passada, estou um pouco acima do peso ideal, e ainda não arranjei o famoso primeiro namorado. Alguns dos meus pretendentes têm filhos, alguns têm carro, e outros não têm ideia do que estão fazendo. Mas tudo bem! Porque olho para os meus colegas de dezoito e olho para os amigos de trinta, e percebo que, exceto pela porcentagem de ceticismo, não existe assim tanta diferença. Uns estão estudando para o Enem, outros estão pagando contas. Eu estou fazendo ambos. Mentira, não estou estudando para o Enem, e apenas me inscrevi porque meu lado jovem convenceu o adulto de que isso era uma boa ideia. “Vai lá, faz Letras.” Já tenho diploma de designer, mas quem lava minhas roupas é minha mãe. Ainda não vejo graça em ficar bêbada, mas já tenho dificuldade com novas tecnologias. Eu sinto que estou no começo de alguma coisa, e talvez esteja também no final de outra.
Aos 22, Adele lançou aquele álbum que a fez famosa e rica. Aos 24, a Britney estava tendo um colapso, mas já tinha beijado a Madonna. A Madonna! Aos 25, ela gravava o primeiro álbum. Eu to na faixa etária do “agora é hora” (pra mim, no caso, porque isso não é uma regra). Já lancei dois livros, já fiz um EP, já viajei pra Las Vegas, me inscrevi pro Big Brother e cantei em boate gay. Acho que é alguma coisa, e se não for, adivinha? Sou feliz de ser ainda tão jovem! Sou tão feliz que às vezes parece que sou uma verdadeira velha que teve a chance de viajar no tempo e viver a casa dos vinte outra vez. Olho pras minhas mãos e respiro aliviada o frescor da minha pele sem rugas. Sei que um dia, tudo vai cair, tudo vai mudar e eu vou precisar tomar alguma decisão importante em alguma questão de vida ou morte, mas até lá, usarei da minha confortável desculpa para todo o deslumbre, a intensidade, a preguiça, a confusão, a ansiedade e os erros ingênuos que cometo todos os dias: tenho apenas vinte e quatro, não me apresse.

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